quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

SOMOS NÓS E O MUNDO CONTRA NÓS


O devocional "Examine as Escrituras Diariamente de 2016", publicado pela Torre de Vigia, Testemunhas de Jeová, em seu prefácio mais uma vez demonstra a atitude da liderança jeovista seu Corpo Governante em prosseguir com o princípio dualista reducionista de "nós e o mundo". 
Note como o texto na imagem é habilmente escrito com o objetivo de estabelecer na mente das TJs a ideia de que TODA e QUALQUER PESSOA que não faz parte da "organização" é má e egoísta, visando causar uma separação do membro TJ dos amigos e da família que não são "seus irmãos na fé". Esse é o princípio chamado "8 ou 80", "branco e preto" como se não houvesse meio termo e "tons de cinza", por assim dizer. 
Essa é a tática usada pelas seitas para isolar os membros das pessoas de fora e criar um mundo paralelo para aprisionar os seguidores gerando neles sentimentos de culpa caso pensem em se afastar do grupo ou questionar suas normas. 
Muitos que estão lá na Torre de Vigia até veem os enganos e falsas profecias, mas devido à forte dependência emocional criada por ideias tal como essa expressa na imagem, a maioria prefere permanecer lá sabendo o que a espera caso decida sair: desprezo e ostracismo pela regra absurda da desassociação. Essa seita é perigosa e precisa ser exposta para que outros não caiam nessa armadilha.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

João Calvino: Um "bom moço"?

Li algo que me deixou indignado pela inveracidade e até ingenuidade sobre o famoso reformador protestante João Calvino. “Calvino não era um ditador de Genebra que governava a população com mão de ferro... Sua condição era simplesmente a de um pastor que não estava em posição de ditar ordens às autoridades magistradas que administravam a cidade... A influência de Calvino sobre Genebra consistia, em última análise, não em sua posição jurídica formal (que era insignificante), mas em sua autoridade pessoal considerável como pregador e pastor.” (Trecho do livro “As Doutrinas da Graça”, de James Montgomery Boice e Philip Graham Ryken, Editora Anno Domini, 2014, o qual possuo em minha biblioteca pessoal.) 
Algo que sempre me chamou a atenção é o fato de muitos dos adeptos da Teologia Calvinista (aqueles que creem na teoria da predestinação absoluta tanto para a salvação como para a perdição eterna, apesar de existirem vertentes mais extremistas e outras mais amenas), não falarem muito, até mesmo ocultarem, ou pior, pintarem um quadro totalmente falso (como o livro que citei acima) sobre o temperamento irascível, violento e nada cristão de João Calvino, que depois de Martinho Lutero, o “pai da reforma protestante” foi e ainda é, com toda a certeza, o mais influente dos reformadores religiosos cristãos do século XVI.  Lembro-me bem, quando estava no 1º ano do ensino médio, em 1984, quando estudávamos um livro de história chamado “História das Sociedades” que abordava a história da Reforma Protestante, expunha tanto o lado bom como o lado ruim do que ocorreu na ocasião, especialmente quando Calvino exerceu grande influência religiosa e política na cidade de Genebra, Suíça, no século XVI.
Um terrível exemplo dado por Calvino foi o caso do assassínio do “herege” Miguel Servet que entre outras coisas não concordava com a doutrina da Trindade, que é até hoje ensinada pelas igrejas católica, ortodoxa e protestante (evangélica). Pesquisando na Wikipédia encontrei coisas interessantes sobre esse triste incidente. Entre parênteses os números indicam a bibliografia pesquisada, indicada no final do texto.
Quando Calvino leu um livro escrito por Servet veja o que ele disse: “Servet acaba de me enviar um volume considerável dos seus delírios. Se ele vir aqui (...), se minha autoridade valer algo, eu nunca lhe permitiria sair vivo ("Si venerit, modo valeat mea autoritas, patiar nunquam vivum exire"). (1)
Em 13 de agosto de 1553, Servet passou em Genebra, e quando ouvia um sermão de Calvino em Genebra e foi imediatamente reconhecido e preso. (2)
Calvino insistiu na condenação de Servet usando todos os meios ao seu comando.
Calvino acreditava que Servet mereceu ser morto por causa do que ele denominou como "blasfêmias execráveis". Todavia, não concordou que ele fosse morto à fogueira, mas sim à guilhotina. Porém, o Conselho não deu ouvidos à Calvino.(3)
Calvino então consultou outros reformadores sobre a questão de Servet, como os sucessores imediatos de Martinho Lutero, bem como reformadores de locais como Zurique, Berna, Basel e Schaffhausen, todos concordaram universalmente com sua execução.(4)
Em 24 de outubro Servet foi condenado à morte na fogueira por negar a Trindade e o batismo infantil. Calvino sugeriu que Servet fosse executado por decapitação, em vez de fogo, mais seu pedido não foi atendido.(5)
Em 27 de outubro de 1553 a pena foi aplicada nos arredores de Genebra com o que se acreditava ser a última cópia de seu livro acorrentado a perna de Servet.(6) 
Após o ocorrido Calvino escreveu: ‘Quem sustenta que é errado punir hereges e blasfemadores, nos tornamos pois cúmplices de seus crimes (…). Não se trata aqui da autoridade do homem, é Deus que fala (…). Portanto se Ele exigir de nós algo de tão extrema gravidade, para que mostremos que lhe pagamos a honra devida, estabelecendo o seu serviço acima de toda consideração humana, que não poupemos parentes, nem de qualquer sangue, e esquecemos toda a humanidade, quando o assunto é o combate pela Sua glória.’(7)”
Agora fico me perguntando: Se Calvino, de fato como disse o livro “Doutrinas da Graça” “simplesmente [não passava] de um pastor que não estava em posição de ditar ordens às autoridades magistradas que administravam a cidade [de Genebra]”, imaginem se ele tivesse tal condição o que ele não teria feito com Servet, além de promover o assassínio dele!
Uma coisa que aprendi é que “a história não mente”.

Referências das obras citadas no texto acima:
1 - Cottret, Bernard. Calvin: A Biography. Grand Rapids, Michigan: Wm. B. Eerdmans, 2000. 0-8028-3159-1 Traduzido para o inglês do original Calvin: Biographie, Edição de Jean-Claude Lattès, 1995.
2 - The Heretics: Heresy Through the Ages by Walter Nigg. Alfred A. Knopf, Inc., 1962. Republished by Dorset Press, 1990, p. 326.
3 - Owen, Robert Dale. The debatable Land Between this World and the Next. New York: G.W. Carleton & Co., 1872. p. 69, notes.
4 - Schaff, Philip: History of the Christian Church, Vol. VIII: Modern Christianity: The Swiss Reformation, William B. Eerdmans Pub. Co., Grand Rapids, Michigan, USA, 1910, página 780.
5 - The History and Character of Calvinism by John T. McNeill, New York: Oxford University Press, 1954, p. 176.
6 - "Out of the Flames" by Lawrence and Nancy Goldstone - Salon.com
7 - John Marshall, John Locke, Toleration and Early Enlightenment Culture (Cambridge Studies in Early Modern British History), Cambridge University Press, p. 325, 2006.

Testemunhas de Jeová: Bom exemplo de pacifismo?

Fui testemunha de Jeová por 20 anos e o que muitos não sabem é o que está envolvido em sua recusa de prestação de serviço militar. Embora o governo brasileiro tenha a provisão de aceitar uma declaração formal de que a pessoa é um objetor de consciência, isso implica em que a pessoa, que assim o requer, perca todos os seus direitos civis, não possa tirar título de eleitor e nem participar de concurso público. Além disso, tal perda acarreta dificuldades para obtenção de vaga de trabalho em algumas empresas devido à questão da pessoa mão possuir o título de eleitor: ou seja, a vida profissional futura de tal jovem fica totalmente comprometida. 
Ademais, visto que esse grupo religioso desencoraja fortemente os membros jovens a cursarem faculdade e de se empenharem por uma carreira profissional para que se dediquem cada vez mais ao trabalho de proselitismo do movimento, vê-se que tal atitude é danosa a esses jovens. 
Ainda há a questão de que até 1996 elas não aceitavam, em hipótese alguma, a prestação do serviço civil alternativo que alguns governos oferecem em lugar do serviço militar. Depois que a liderança delas resolveu mudar o entendimento acerca desse assunto, a partir daquele ano passaram a deixar ao encargo da consciência dos jovens testemunhas aceitarem ou não tal alternativa. Mas, o que dizer do prejuízo causado por tal norma errônea que vigorou até 1996? Sei de muitos jovens TJs que foram presos e perderam seus anos preciosos de juventude por causa de uma norma arbitrária e antibíblica.
Então acho que as TJs não são um bom exemplo neste aspecto e eu discordo totalmente de tal visão que proíbe que o cristão sirva a sua pátria. Até porque temos exemplos bíblicos de soldados que foram batizados por João Batista e o próprio Cornélio gentio que era oficial militar e a Bíblia não diz nada que eles tiveram que abandonar a sua carreira militar, como é solicitado àqueles que quiserem ser TJs caso sejam militares hoje. 
Creio que a questão é servir como não combatente para aqueles que objetam ao serviço militar sem que isso acarrete prejuízo para a vida futura dos jovens como ocorre infelizmente com os jovens TJs, e a grande maioria das pessoas de fora não sabe disso.

Bíblia = Igreja Evangélica?

O grande problema é achar que Bíblia = igreja evangélica. Nunca essas duas coisas foram tão opostas como na atualidade. Apesar de a maioria das igrejas evangélicas usarem a Bíblia, infelizmente, a grande maioria delas faz e ensina coisas contrárias ao que este livro afirma. 
O grande problema é a falta de conhecimento das pessoas sobre o que esse livro diz, de como veio a existir, quais as evidências de que é confiável e porque e como podemos ampliar nosso conhecimento sobre Deus através dele. Muitos inclusive desconhecem que tudo o que é divulgado sobre Jesus Cristo, em quem a maioria dos ocidentais acredita, veio através desse livro que fala tudo sobre Ele. A influência desse livro, que levou 1.600 anos para ter sua escrita concluída por quase 40 pessoas é tão grande sobre a cultura humana que todos os ideais de liberdade e fraternidade tiveram sua origem nele. Todas as tentativas de destruí-lo e ocultá-lo do povo, durante a Idade Média, foram infrutíferas. Agora a tentativa é ignorá-lo através do conceito relativista de nossa era, ou seja, de que a verdade absoluta não existe. Mas nisso há um terrível paradoxo: Para se crer que não existe verdade absoluta é preciso crer que tal tese é uma verdade absoluta!

domingo, 25 de outubro de 2015


COMO TUDO COMEÇOU

"No ano de 1987, aos 20 anos de idade comecei a sentir um forte desejo de servir a Deus, e achava que já era hora de me decidir por uma religião. Visto que estava frequentando a Igreja Missionária Evangélica Maranata com uma amiga de infância resolvi tentar permanecer ali, embora não me sentisse nada a vontade com o estilo pentecostal de culto. O ponto de virada, porém, se deu num certo domingo quando o pastor começou a pregar sobre o assunto da necessidade de se buscar a salvação e fiquei prestando muita atenção, pois era algo que eu estava sentindo a necessidade insaciável de alcançar. Num certo momento do sermão, ele fez uma longa pausa e disse: “A pessoa pode estar frequentando a igreja, pagando o dízimo e fazendo tudo certinho, mas se não for o escolhido do SENHOR, de nada adiantará”. Nessa hora senti como se tivessem jogado “um balde de água gelada” sobre minha pequena fé. Voltei para casa aturdido e pensando: “como vou saber que sou um escolhido de Deus?” A partir daí, decidi não mais frequentar essa igreja e me afastei por algum tempo de religião, até que certo dia, indo à casa do meu amigo do ensino médio que mencionei mais acima, falei-lhe de minhas dúvidas e temores. Ele então me entregou um livro, da Torre de Vigia, chamado Raciocínios à Base das Escrituras me dizendo que tal livro “tiraria de vez todas as minhas dúvidas” e, de fato, parecia ter removido toda a escuridão lançada pela palavra imprudente daquele pastor, que posteriormente descobri que era fruto do mal interpretado ensino da predestinação crido em muitas denominações evangélicas. A partir daí, decidi me associar com o movimento das Testemunhas de Jeová em abril de 1987 e ali permaneci por exatos 20 anos achando que havia finalmente encontrado a “única religião verdadeira” dedicando toda a minha vida, dons e esforços em prol de uma crença que me pareceu tão sólida, mas que nos últimos 5 anos de minha associação com tal movimento percebi que, de fato, não era tão sólida assim.

"Os capítulos do livro trazem à atenção detalhes do porquê passei a questionar e, por fim, abandonar o movimento da Torre de Vigia, após 20 anos de associação, 15 dos quais como ancião (equivalente a pastor) de congregação, orador de grandes congressos e assembleias com assistências de mais de 5.000 pessoas. O que me levou a abandonar tantos anos de associação, amizades e, porque não dizer, deixar de lado o “status espiritual” adquirido dentro do movimento? O que posso dizer é que a decisão de abandonar o grupo não foi tomada por impulso, mas após cuidadosa consideração e muito adiamento, pois havia consequências de ordem pessoal e familiar envolvidas. Conforme o leitor verá, no decorrer da leitura, diferente de outros grupos religiosos, embora seja relativamente fácil tornar-se uma testemunha de Jeová não é tão simples assim deixar o movimento de maneira honrosa. Aliás, como é admitido por todos aqueles que chegaram a uma encruzilhada como eu, “não há saída honrosa” desse grupo, infelizmente.

"Embora tenha iniciado contando um pouco de minha experiência religiosa pessoal que me conduziu ao movimento das Testemunhas de Jeová, os próximos capítulos se concentrarão mais nos fatos e evidências que fortaleceram a minha convicção de que havia algo fundamentalmente errado no grupo, algo que me levou a questionar a legitimidade profética da Torre de Vigia. Gostaria de, por fim, lembrar a todos que lerem o livro de que meu alvo não é questionar a sinceridade e a fé das pessoas que estão nesse movimento, pois admito que a grande maioria delas é sincera e busca uma relação séria com Deus. Meu objetivo é mostrar através dos fatos, e a partir da própria literatura das Testemunhas de Jeová, porque tanto a base de sustentação teológica, bem como as suas pretensões de governança e de serem uma “teocracia” são ilegítimas, insustentáveis e como a história do movimento comprova isso. Sim, nada como estudar a história, o passado, para entendermos o porquê do movimento da Torre de Vigia ser o que é hoje e porque são ocultados fatos importantes que, se fossem amplamente divulgados aos membros, levaria muitos deles a abandonar o grupo assim como se deu comigo." 

Trecho do capítulo 1 de meu livro TESTEMUNHAS DE JEOVÁ: Uma análise de sua legitimidade profética. O livro está à venda no site Clube de Autores.

sábado, 3 de outubro de 2015

NOVO LIVRO SOBRE AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

Este meu primeiro livro traz uma análise das alegações proféticas feitas pela liderança da Torre de Vigia de ser o único "canal" por meio do qual todos podem entender a Bíblia e de as Testemunhas de Jeová serem a "única religião verdadeira". Será que a Bíblia os apoia nisso? É a Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada uma tradução confiável? A desassociação tem base bíblica? Por que houve tantas mudanças doutrinárias desde a fundação deste movimento? Esta obra visa também esclarecer a todos o que está por detrás do "paraíso espiritual" propagandeado pela liderança máxima deste movimento, seu Corpo Governante.

O livro pode ser adquirido pelo site Clube de Autores através do link abaixo: 


Por que será que muitas pessoas se sentem atraídas à religião das Testemunhas de Jeová? Veja uma das justificativas dadas numa publicação delas: “Em todo o mundo, há muitas organizações religiosas, políticas, comerciais e sociais, que variam em características, objetivos, pontos de vista e filosofias. Mas uma organização é bem diferente de todas as outras. A Palavra de Deus identifica claramente essa organização como as Testemunhas de Jeová” (Organizados Para Fazer a Vontade de Jeová, p. 6).

Sim, as Testemunhas de Jeová afirmam ser diferentes de todas as outras organizações religiosas do mundo. Em função disso, proclamam em mais de 230 países que somente elas praticam a verdadeira religião cristã: “Quem, então, são os que formam o corpo de verdadeiros adoradores hoje? Não hesitamos em dizer que são as Testemunhas de Jeová” (Viver Para Sempre, p. 190).

Em meio a tantas denominações cristãs, a oferta das Testemunhas de Jeová é muito atraente!

Contudo será que tais afirmações são verdadeiras? Pode a liderança máxima das Testemunhas de Jeová, seu Corpo Governante ou escravo fiel e discreto” reivindicar ter legitimidade profética? Estas são questões que esta obra visa responder tanto para os que são membros desta organização como para todos os interessados em saber mais do passado e de suas ações na atualidade



Aproveito este espaço para agradecer a todos aqueles que me incentivaram ao longo dos últimos meses, durante a escrita desta obra, para que a mesma fosse publicada. Quero mostrar também a minha gratidão a todos os mestres que, conforme prometido por Deus, auxiliam o povo de Deus a compreender melhor a Sua Palavra, a Bíblia Sagrada (veja Efésios 4:11-13). As várias citações que faço no decorrer deste livro, de muitas de suas obras teológicas, são um reconhecimento humilde da necessidade que temos de aprender com tais mestres piedosos, embora sejam seres humanos falhos assim como eu, carentes da misericórdia divina. Igualmente, me coloco aos pés de tais mestres!

sábado, 9 de maio de 2015

Pensando um pouco....

Tenho evitado ultimamente falar sobre o que acho quanto à religião.  
Só que não consigo me segurar...
Porém sem me delongar, pois teria muito a dizer (o que farei aqui no blog em breve), acho que devemos seguir a seguinte frase: "Nem tanto ao mar nem tanto à terra." 
  • Nem teologia da prosperidade nem teologia da pobreza. 
  • Nem antropocentrismo nem desprezo pelo homem. 
  • Nem ufanismo nem excesso de modéstia. 
  • Nem só vitória nem somente cruz. 
  • Nem santimoniosidade nem miserabilidade. 
  • Nem legalismo nem anarquia. 

Como diz a Bíblia no livro de Eclesiastes "tudo tem seu tempo", ou seja, é preciso equilíbrio uma coisa muito rara de se ver na religião cristã especialmente evangélica. 
Refletindo...
"Nem tanto ao mar nem tanto à terra"

Há alguns anos um ministro da Igreja Batista declarou: “Sabem, eu acho que perdemos tempo demais com a história de Adão e Eva e pensando ser o homem um miserável pecador, é como se tivéssemos esquecido totalmente de que há um outro relato no livro de Gênesis 1, onde Deus cria o homem à Sua imagem e semelhança.” (Cedars Camps) 
Concordo totalmente com isso pois a teologia escolástica influenciou muitíssimo a Igreja Católica Medieval e as suas filhas da Reforma Protestante que pouco fizeram para reformar o conceito medieval de "pecadores que necessitam apaziguar um Deus que só vive mal humorado e zangado com o ser humano. Insatisfeito com todo o esforço que se faça. Um Deus insaciável, irascível e que sente um mórbido prazer em ver pecadores agonizando tanto na terra como no inferno de fogo e que se nega a ver que Ele é o causador do pecado pois Ele predestinou, de acordo com a teologia agostiniana confirmada pelo "reformador" protestante João Calvino, os seres humanos a pecarem e a irem para o inferno para pagar por atos que não tinham como deixar de praticar devido a uma vontade soberana mesquinha e déspota. Ora, como Ele pode ser tão hipócrita em punir os homens por fazerem o que Ele os predestinou a fazer!". 
Acho INACEITÁVEL a imagem de Deus e do ser humano apregoada pelo catolicismo e protestantismo. Por isso vimos e vemos aí tantos espertalhões como os cobradores de indulgências papais da era medieval (e os atuais como os "padres-estrelas") e os pregadores da teologia da prosperidade que se aproveitam tanto da miséria espiritual que incentivam bem como do olho grande daqueles que querem sair do seu desespero material e espiritual de qualquer maneira, como se Deus fosse obrigado a sujeitar-se aos seus caprichos egoístas. Sim, "nem tanto ao mar nem tanto à terra". 
Nem teologia da prosperidade nem teologia da miséria!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Será que os cristãos foram chamados por Jesus para "reformar" este mundo?


Tenho visto pela internet que muitos cristãos e especialmente vários líderes religiosos, em especial evangélicos, estão se pronunciando veementemente sobre o Projeto de Lei PLC 103/2012, que trata do PNE, deverá ser votado pelo plenário do Senado Federal esta semana, no dia 11/12/2013. Diferentes propostas e emendas já foram preparadas por várias associações com o objetivo de inserir no PNE (Plano Nacional de Educação), a criação de cartilhas de educação sexual e a inserção de conteúdos nos livros didáticos do Sistema Nacional de Educação que promovem, segundo alguns, uma erotização precoce das crianças, como também fazem uma clara apologia e promoção do comportamento homossexual como sendo algo a ser aceito pela nossa sociedade.
O Pastor presbiteriano, Augustus Nicodemus Lopes, comentou, em seu Facebook que "várias associações educacionais, escolas e universidades cristãs do Brasil, com o apoio da Associação Nacional de Juristas Evangélicos, emitiram uma nota se posicionando sobre o Plano Nacional de Educação (PNE) e do que pode ser acrescentado ao plano em 2014 durante a Conferência Nacional de Educação (CONAE). Essa nota expõe à sociedade brasileira e aos Poderes Públicos da República Federativa do Brasil posições e preocupações acerca do PLC 103/2012, especialmente, no que concerne à tentativa dos movimentos sociais LGBTT inserirem, via MEC, conteúdos nos livros didáticos dirigidos a desconstruir os valores cristãos de crianças e adolescentes do nosso País"  
Sinceramente o que mais me preocupa nisso tudo é o fato de que os cristãos, pelo que já li da Bíblia, terem sido chamados por Jesus, para divulgar o vindouro Reino de Deus que a tudo mudará e cuja única lei a prevalecer, a partir de então, será a de Deus. Os cristãos não foram chamados para reformar este mundo - mundo este que está prestes a ser removido (2 Pedro 3:13). 
Querer impor sobre uma sociedade pluralista, em muitos sentidos, valores "judaico-cristãos" é adotar o mesmo princípio por trás dos grupos LGBTT de impor sobre os outros seus pontos de vista. Jesus disse que não se deve por remendo em roupa velha pois o rasgo ficará maior depois (Mateus 9:16). 
Não cabe a nós tecer julgamentos sobre o certo e o errado deste mundo, até porque "o pensamento do homem é mau o tempo todo" infelizmente (Gênesis 6:5). O que os cristãos podem e devem fazer, ao meu ver, é provar pelas suas próprias vidas que o modo de vida cristão é o melhor e o único que conduzirá a um futuro verdadeiro "a verdadeira vida" (1 Timóteo 6:19). Infelizmente o histórico dos cristãos e o comportamento atual de muitos deles não condiz com a fé que professam. Por isso, acredito que não devemos ditar normas e querer impor uma regra de conduta que a maioria rejeita. Os cristãos foram chamados sim para mudar vidas - uma de cada vez - e não nações inteiras através da política corrupta deste mundo, pois tal atitude remonta à época das Cruzadas "Cristãs" promovidas pela Igreja Católica que só troxeram derramamento de sangue, conforme a história que não nos deixa mentir. 
Uma excelente literatura a esse respeito é o livro "O Fim de uma Era" (Editora Anno Domini) do Bispo Walter McAlister que aborda com muito equilíbrio e uma rara lucidez essas e outras questões.

domingo, 27 de outubro de 2013

Versões da Bíblia em português precisam ser claras e inteligíveis.

Sinceramente não sei por que há um "endeusamento" da versão ARA. Alguém entende por acaso o significado de "chocarrices", "arganaz", "impudicícia", "olhos baços", "cicio", "olvidaste", "irrisão", "encarquilhado", "bufões", "excogitar", "necedade", "enxárcias", "improperar", "perscrutar" e etc...... Essas palavras aparecem na versão da ARA!!!!! Uma versão que teve sua última revisão em 1993 usando esse tipo de vocabulário???? Além disso o estilo do português utilizado não é o modo mais natural do brasileiro falar, pois o estilo é erudito (um erudito arcaico ainda por cima) mas as pessoas que frequentam uma igreja na sua maioria não o são. Isso parece ter saído de um museu... Sinceramente é o simples prazer de preservar uma tradição ao invés de promover o entendimento claro e preciso da Palavra de Deus dizer que essa versão ARA é boa. Em muitos casos ela é mais arcaica ainda do que a ARC. Pelo amor de Deus gente!!! Aliás a ARA nunca fez jus ao seu nome de "Atualizada". Pra quê ficar praticando museologia na igreja???? Felizmente a ARA está sendo revisada pela SBB - Sociedade Bíblica do Brasil. Vamos ver se vai ficar igual ao que fizeram em 1993 preservando um monte de "museu" dentro da Bíblia, desnecessário e inútil. Não consegui entender até hoje o porque de preservar um estilo tão antiquado pois em 1993 ninguém se expressava do jeito que esta versão "fala". Por isso que a NVI e a A21 cada vez mais estão tomando o mercado e caindo no gosto das pessoas porque estas dá pra se entender e não são tão excessivamente livres como a NTLH ou NBV. O grego usado no Novo Testamento não era o clássico mas sim o coiné, o comum, o que o povo falava nas ruas. Porque traduzir de um jeito erudito ultraconservador quando o original não é assim? Não dá pra entender...
 
Traduções da Bíblia que pessoalmente recomendo são:

Para estudo aprofundado numa linguagem moderna e atual e não em estilo de paráfrase:
  • Almeida Século 21
  • Nova Versão Internacional
  • CNBB (melhor versão católica em português. Linguagem moderna e dinâmica)
Para leitura devocional:
  • Nova Bíblia Viva: É excelente e bem fiel ao original diferentemente da edição antiga.
  • Nova Tradução na Linguagem de Hoje: Melhor na edição "Livro dos Livros", da SBB, que não contém divisão e nem numeração de capítulos e versículos. O texto está separado por conjuntos de parágrafos transmitindo assim a continuidade das ideias expressas pelos escritores inspirados semelhante aos escritos originais. As cartas do apóstolo Paulo ficaram ótimas e fáceis de se entender os assuntos explanados por ele.
Bíblias de Estudo:
  • Bíblia de Estudo Palavras-Chave: Analisa as palavras gregas e hebraicas chave de cada versículo através de códigos numéricos que remetem o leitor ao Dicionário hebraico-grego com as definições elaboradas por James Strong atualizadas pela AMG Publishers. Apesar de se basear na Almeida Revista e Corrigida uma versão bastante literal mas serve bem aos propósitos desse tipo de estudo)
  • Bíblia de Estudo John MacArthur: Uma das melhores e com notas comentadas bem completas. Como estudioso reformado que ele é produziu uma obra sem concorrente.
  • Bíblia de Estudo NVI: Suas notas são mais neutras em sentido teológico e doutrinário e são muito úteis.
  • Bíblia de Estudo Dake: Uma bíblia de estudo exaustiva e bastante detalhada uma verdadeira enciclopédia. As listas exaustivas de assuntos bíblicos tratados são excelentes. Embora seja encarada como polêmica por causa de algumas de suas notas ela deve ser usada por ser muito útil, embora com a devida cautela e senso crítico. O autor era pentecostal mas advogou ideias, em suas notas, que fogem da interpretação considerada como ortodoxa por este grupo.
 
Abreviaturas usadas:
ARA - Almeida Revista e Atualizada
ARC - Almeida Revista e Corrigida
NVI - Nova Versão Internacional
A21 - Almeida Século 21
NTLH - Nova Tradução na Linguagem de Hoje
NBV - Nova Bíblia Viva

terça-feira, 15 de outubro de 2013

"Aprendais a não ir além do que está escrito" (1 Coríntios 4:6, ARC)
Infelizmente nota-se a cada dia uma triste tendência nas religiões que dizem advogar a Bíblia Sagrada como "sua única regra de fé e prática". O apóstolo Paulo ao escrever uma carta à congregação da cidade de Corinto no primeiro século de nossa era já havia notado a tendência que o ser humano tem em criar e ditar normas e regras. Todos aqueles que acreditam em Jesus Cristo precisam reconhecer o fato de que a única fonte autorizada de orientação para a vida cristã é a Bíblia Sagrada, pois Ele mesmo disse: "A Tua Palavra é a verdade" (João 17:17) Mas infelizmente muitos líderes e grupos religiosos que dizem seguir a Bíblia demonstram pelos seus dogmas, concílios e declarações doutrinárias oficias que a Bíblia é incompleta e insuficiente. A inventividade humana, de fato, não tem limites mas é justamente por isso que somos orientados na própria Bíblia a "dominar todo pensamento humano e fazermos com que ele obedeça a Cristo.” (2 Cor. 10:5 - NTLH). Se isso fosse seguido à risca pelas religiões que se dizem cristãs certamente não veríamos tantos desvairios teológicos e doutrinários tais como:
1) Cálculos cronológicos sobre o "fim do mundo" (Mat. 24:3, ARC, veja Marcos 13:32) que acabam interferindo em toda a perspectiva da pessoa sobre o que ela deseja alcançar no futuro quanto aos seus alvos educacionais, emocionais e profissionais. O uso e abuso de textos tais como Mateus 24:34 com a utilização da palavra "geração" (em grego: genea) é um dos exemplos mais notórios. Infelizmente muitos intérpretes ocultam o fato que essa passagem admite, pelo menos, 3 explicações diferentes (veja O Novo Testamento Interpretado, e Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia (s. v. "geração") ambos de R. N. Champlin, Editora Hagnos). Acredito que quando certa passagem da Bíblia é obscura e admite mais de uma interpretação não se pode e nem se deve ser dogmático, como alguns o fazem para grande dano das pessoas que aceitam e endossam uma visão interpretativa estreita, reducionista e simplista.
2) Minúcias acerca de quais práticas sexuais devem existir no matrimônio. "Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará. - (Hebreus 13:4, ARC). A expressão "leito sem mácula" tem gerado todo tipo de especulação absurda do que significa "sem mácula" ou "mancha" chegando ao ponto de certos líderes e escritores "cristãos" se imiscuírem em algo que Deus não lhes deu licença para tal. Acredito que se a Bíblia não fornece detalhes é porque Deus achou desnecessário e deu liberdade para que o ser humano usasse o livre-arbítrio e o bom senso. Se o casal cristão se permitirá ou não certas práticas sexuais isso é decisão de foro íntimo do casal e ninguém deve se meter, dar opinião, ou fornecer conselho não autorizado pela Palavra de Deus. Interpretações ilegítimas de certas passagens bíblicas tem feito com que muitos não levem a sério justamente aquelas partes em que a Bíblia dá conselho direto sobre essa questão e faz com que o cristianismo caia em descrédito e que os cristãos sejam tachados como "burros, imbecis, ignorantes e de mente fechada". Do mesmo modo interpretações simplistas e infantilizadas de como Deus fez o homem e a mulher, distorcendo o relato simples do livro de Genesis, só causam vergonha ao Evangelho e viram motivo de chacota como ocorreu há alguns meses em determinado programa religioso de um canal que se diz ser sério, o qual fiquei pessoalmente estarrecido e chocado ao ver como que a direção dessa denominação legitimou as declarações de uma pessoa, que apesar de terem sido bem intencionadas, beiraram a imbecilidade. Quando o assunto envolve o sexo, sob a ótica cristã, bom senso, respeito e equilíbrio, creio que são de bom alvitre que sejam usados por aqueles que se colocam como "mestres" da Palavra. Não sou contra os "mestres e doutores" na Palavra, até porque Deus diz que daria tais pessoas como dons à Igreja, mas a atuação deles tem que estar condizente com a Palavra de Deus e Deus espera isso deles.
Irei mencionar mais alguns pontos ao passo que ampliar este artigo.

domingo, 4 de agosto de 2013

Livros, livros e mais livros...


Quem me conhece sabe que eu amo ler. A leitura para mim não é apenas um meio para se adquirir mais conhecimento, mas na realidade, me permite compartilhar com outros os meus pensamentos, me conectar melhor com Deus e ampliar minha visão de mundo e dos eventos atuais, além de algumas obras que leio me ajudarem no meu trabalho na área de RH.
Atualmente tenho muitos livros "na minha cabeceira" para serem lidos. Andei um tempo meio devagar em relação à leitura, mas de julho de 2013 para cá, graças a Deus, tenho retomado o hábito de ler bastante até mesmo lendo dois livros ou mais ao mesmo tempo. 
Li em algum lugar (não me lembro) que ler dois ao mesmo tempo estimula a mente. 

Segue abaixo a lista dos livros que estão "na fila" para serem lidos. 
A lista é grande mas pretendo lê-los até o fim do ano (2014...) se Deus me permitir.
Os que estão marcados em negrito são os que já li. 
Alguns eu já li uma parte e não os marquei, mas assim que acabar os que estou lendo atualmente terminarei os que estão pendentes.
Como poderão notar sou eclético nas minhas opções de leitura, pois acredito que devamos aprender com todos e conhecer algo antes de comentar ou criticar. 
Mente fechada e estreita só atrapalha nos impedindo de crescer e ter uma visão mais ampliada sobre um determinado assunto mesmo que talvez nos faça sair de nossa zona de conforto.

101 Perguntas Sobre Ellen White e Seus Escritos - William Fagal (CPB)
5 Perspectivas sobre Santificação – Stanley Gundry (Editora Vida)
A Igreja Irresistível - Wayne Cordeiro (Editora Vida)
A Guerra Pela Verdade – John MacArthur (Editora Fiel)
A Manifestação do Espírito - D. A. Carson (Vida Nova) 
A Neurose da Religião – Tom Hovestol (Editora Hagnos)
A Teologia Nossa de Cada Dia – Robert Banks (Editora Vida)
Adoração ou Show? – Paul Basden (Editora Vida)
Agostinho de A a Z – Franklin Ferreira (Editora Vida)
Além do Topo – Zig Ziglar (Thomas Nelson)
A Liberação do Sobrenatural - Bill Johnson (Editora Vida)
A Lógica da Fé - Nancy Vyhmeister e Humberto Rasi (CPB)
Apagando o Inferno – Francis Chan (Editora Mundo Cristão)
Apocalipse 13 - Marvin Moore (CPB)
As Interpretações do Apocalipse, 4 pontos de vista – C. Marvin Pate (Editora Vida)
A Única Esperança - Alejandro Bullón (CPB)
A Visão Apocalíptica e a  Neutralização do Adventismo - George Knight - (CPB)
Café Espiritual - Reprograme o poder de Deus em sua vida – Bill Johnson (Editora Vida) 
Cartas a uma Senhora Americana – C. S. Lewis (Editora Vida)
Clássicos Devocionais – Richard Foster e James Bryan Smith (Editora Vida)
Crise Espiritual - Fernando Beier (CPB)
Cristianismo Puro e Simples – C. S. Lewis  (Martins Fontes)
Compromisso Profético - O Bii Pax-Harry (Editora Vida)
Decepcionado com Deus – Philip Yancey (Editora Mundo Cristão)
Dons Espirituais - Sam Storms (Anno Domini)
Em Busca de Identidade - George Knight - (CPB)
Escola de Profetas – Jonathan Welton (Editora Vida)
Escolhidos - Sam Storms (Anno Domini)
Fé Cristã e Misticismo - Vários autores (Editora Cultura Cristã) 
Fuego Extraño - John MacArthur (Grupo Nelson - México)
Gente Tóxica – Bernardo Stamateas (Thomas Nelson)
Homem sem Amarras – T. D. Jakes (Editora Vida)
Homens Comuns com Potencial Extraordinário – T. D. Jakes (Editora Vida)
Inteligência Espiritual – Maria do Carmo Rabello (CPB)
Lei e Evangelho - 5 pontos de vista - (Editora Vida)
Lendo as Escrituras com os Pais das Igreja - C. Hall - (Editora Ultimato)
Neopentecostalismo - A História não Contada - Walter McAlister (Anno Domini) 
Neopentecostalismo – A história não contada
O Cristão Ateu – Craig Groeschel (Editora Vida)
O Jesus que eu nunca conheci - Phllip Yancey (Editora Vida)
O Milênio, 3 pontos de vista – Darrell L. Bock (Editora Vida)
O Peso de Glória – C. S. Lewis (Editora Vida)
O Problema do Sofrimento - C. S. Lewis - Editora Vida
O Que Jesus Disse? O que Jesus Não Disse? – Bart D Ehrman (Thomas Nelson)
O Reavivamento Prometido – Mark Finley (CPB)
O Terceiro Olho, a Visão Espiritual – David Yonggi Cho (Editora Vida) 
O Último Império – Vanderlei Dorneles (CPB)
O que estão fazendo com a Igreja - Augustus Nicodemus (Editora Mundo Cristão)
Os 5 Níveis da Liderança – John C. Maxwell (CPAD)
Os Dez Mandamentos – Loron Wade (CPB)
Pai, Filho e Espírito - Andreas J. Kostenberger e Scott R. Swain (Vida Nova)
Para Que Estou na Terra? – Rick Warren (Editora Vida)
Pensamentos que Trazem Felicidade – David Yonggi Cho (Editora Vida)
Quando o Céu Invade a Terra – Bill Johnson (Editora Vida) 
Quando Cristo Voltar - Max Lucado (Thomas Nelson)
40 anos da Bíblia na Linguagem de Hoje - (SBB)
Quem Deus Realmente é - Craig Groeschel (Editora Vida) 
Sem Enigmas - Richard L. Litke (CPB)
Treinamento para a Vida Espiritual - Timothy Jorgensen (Editora Vida)
O Fim de uma Era - Walter McAlister (Anno Domini) 
Vida Sem Limites – Clifford Goldstein (CPB)
Viva na Quarta Dimensão – David Yonggi Cho (Editora Vida)
Vivendo Acima da Mediocridade – Charles Swindoll (Editora Vida)



domingo, 28 de julho de 2013

Liberdade e cristianismo – O que isso tem a ver com o livre-arbítrio? Porque certos grupos religiosos tem medo do livre-arbítrio?

Um dos dons mais preciosos que nós seres humanos podemos e devemos usufruir é o da liberdade. Sim, liberdade para pensar, agir, adorar e amar. A liberdade é um dom maravilhoso que tem sua origem em Deus. Em Deus? Para muitos, dizer que a liberdade tem sua origem em Deus pode até mesmo parecer um contrassenso, pois a imagem que se tem geralmente acerca de Deus é a de que Ele é uma pessoa que, apesar de ser afirmado que Ele “é amor” (1 João 4:8), esse mesmo Deus tem um temperamento difícil, instável e que só vive mal-humorado. Ao passo que Ele quer que sejamos felizes, parece que anda com um chicote escondido atrás de Si pronto a dar uma boa lambada em que se atrever a desobedecê-Lo, ou talvez Ele seja um Deus que fica o tempo todo nos controlando, vigiando, nos dando a sensação de que somos suas marionetes e que Ele fica brincando conosco ao seu bel-prazer. Em algumas circunstâncias pode até mesmo parecer que Ele se satisfaz em nos ver tropeçar e fazermos algo ruim só para nos pegar e antes da surra nos dizer: “O que é que foi que Eu te disse? Quem mandou você...”
Essa imagem de um Deus carrasco é a mais comum na mente de muitas pessoas, quer se admita isso, quer não. Eu mesmo por muitos anos tive esse conceito, lá nos recessos de minha mente, apesar de ter adquirido conhecimento bíblico durante mais de 26 anos.
Mas hoje ao fazer a leitura de um livro chamado “Café Espiritual – reprograme o poder de Deus na sua vida”, publicado pela Editora Vida, li um capítulo no mesmo que me chamou muito a atenção. Foi o capítulo 3 intitulado “Criar um lugar seguro” escrito por Danny Silk. A frase inicial do capítulo me chamou muito a atenção ao afirmar: “Deus, Criador de todo o Universo, criou as pessoas para que fossem livres. Na verdade, ele confiou, especificamente liberdade a seu povo.” (grifo do autor)
Logo após ele cita um de meus autores favoritos, C. S. Lewis, que em seu livro Cristianismo Puro e Simples (Martins Fontes), [o autor cita da edição publicada pela Editora Quadrante, Mero Cristianismo] disse o seguinte sobre o livre-arbítrio: “Deus criou coisas dotadas de livre-arbítrio: criaturas que podem fazer tanto o bem quanto o mal. Alguns pensam que podem conceber uma criatura que, mesmo desfrutando da liberdade, não tivesse possibilidade de fazer o mal. Eu não consigo. Se uma coisa é livre para o bem, é livre também para o mal. E o que tornou possível a existência do mal foi o livre-arbítrio. Por que, então, Deus o concedeu? Porque o livre-arbítrio, apesar de possibilitar a maldade, é também aquilo que torna possível qualquer tipo de amor, bondade e alegria. Um mundo feito de autômatos - criaturas que funcionassem como máquinas - não valeria a pena ser criado. A felicidade que Deus quis para suas criaturas mais elevadas é a felicidade de estar, de forma livre e voluntária, unidas a ele e aos demais seres num êxtase de amor e deleite ao qual os maiores arroubos de paixão terrena entre um homem e uma mulher não se comparam. Por isso, essas criaturas têm de ser livres. E claro que Deus sabia o que poderia acontecer se a liberdade fosse usada de forma errada. Aparentemente, ele achou que valia a pena correr o risco.” (p. 23 da edição da Martins Fontes)
O que me chamou a atenção foi o fato de que apesar de eu, intelectualmente, sempre soubesse que o ser humano foi dotado por Deus da faculdade do livre-arbítrio, eu ainda não havia parado para pensar nas implicações desse livre-arbítrio em minha própria experiência religiosa como membro (atualmente ex-membro) do grupo testemunhas de Jeová. 
Por isso vou falar agora de minha própria experiência, apesar de acreditar que ela seja válida para outros que já passaram ou estejam passando pela agonia de espírito que passei.
A liderança das testemunhas de Jeová apesar de admitir em suas publicações que o ser humano foi criado e dotado com a faculdade do livre-arbítrio se contradiz ao tentar de todos os modos impugnar o exercício de tal prerrogativa. Vou citar um exemplo recente.
A revista A Sentinela, edição de estudo de 15 de outubro de 2013, trouxe a atenção uma matéria direcionada especialmente para os jovens intitulada “Trabalhem como escravos para Jeová”. Este artigo polariza a questão basicamente entre dois pontos: O que é melhor ser escravo de Jeová (nome de Deus) ou de Satanás? Esta polarização visa, entre outras coisas, desencorajar, de todos os modos, a busca por uma educação superior, ou seja, que os jovens testemunhas cursem faculdade. Isso já é amplamente promovido, por muitos anos, pela liderança das TJ’s.
Uma parte da matéria, logo de início, já começa a condicionar a mente do jovem dizendo o seguinte no parágrafo 7 do artigo: “No mundo, prevalece o desejo de ser materialmente próspero. Satanás promove a ideia de que dinheiro é sinônimo de felicidade. Surgem cada vez mais shopping centers e grandes lojas. As propagandas incentivam um estilo de vida que gira em torno de bens e diversão.” Note o cuidado que os escritores do artigo tiveram em já preparar a mente dos jovens e de outros TJ´s para o fato de que buscar prosperidade material é coisa do “mundo” e que “Satanás” é o promotor de tal ideia. Ou seja, esta seção introduz dois termos chave que darão a tônica “polarizante” do restante do artigo: “mundo” e “Satanás”. [Se levarmos a sério as palavras acima deveremos ter cuidado em frequentar shoppings centers, pois, com certeza, segundo o escritor do artigo, Satanás está por trás desse tipo de empreendimento... rsrsrsrsrs...]
Não estou negando o fato de que Satanás promove um estilo de vida que focaliza o material em detrimento do espiritual e que ele exerce grande pressão neste respeito. TODO CRISTÃO que deseja agradar a Deus tem que tomar o devido cuidado. Mas o que questiono é a forma como as ideias são utilizadas, nas palavras acima, cerceando a liberdade individual e o direito de escolha, o uso do livre-arbítrio, criando assim um espírito de condicionamento mental para introduzir o ponto chave do artigo que indicarei a seguir.
Debaixo do tópico “Carreira Gratificante” note como sutilmente certas ideias vão sendo introduzidas para levar a mente a aceitar, sem questionar, o que será explanado em seguida no artigo em questão: “Assim como fez no Éden, Satanás hoje ataca principalmente os inexperientes. Os jovens estão entre seus alvos favoritos. Satanás não fica feliz quando um jovem, ou qualquer outra pessoa, se oferece para ser escravo de Jeová. O inimigo de Deus quer que todos que dedicam a vida a Jeová deixem de ser leais a Ele.” (p. 14 - grifos meus)
Mais uma vez a polarização entre ser leal a Deus e a Satanás entra em cena. E, certamente, ninguém que ama a Deus quer ser leal a Satanás. Tal modo de conduzir o assunto facilita em muito aceitar as proposições restantes. Quais são essas proposições? Note as palavras do artigo a seguir: “Os cristãos dedicados vivem para fazer a vontade de Deus, não a de Satanás. Eles tem prazer na lei de Jeová e meditam nela dia e noite... No entanto, boa parte dos cursos acadêmicos hoje deixam pouco tempo para um servo de Jeová meditar na Palavra de Deus e satisfazer sua necessidade espiritual... Hoje, em muitos países, a educação escolar é obrigatória até certa idade. Depois disso os alunos tem uma escolha: continuar ou não seus estudos. Continuar estudando para buscar uma carreira neste mundo pode limitar a liberdade que alguém teria para ingressar no tempo integral. [usar seu tempo em dedicar muitas horas para pregar de casa em casa, obra promovida pelo grupo]... Em vez de obter diplomas ou títulos acadêmicos, os cristãos verdadeiros se concentram em obter “cartas de recomendação” por participar o máximo possível no ministério de campo.” [outra expressão usada pelo grupo para referir-se à pregação de casa-em-casa.] (pp. 14, 15 - grifos meus) A ideia promovida é a seguinte: Continuem trabalhando para a nossa organização apenas pregando de casa-em-casa, não cursem faculdade pois isso vai atrapalhar o crescimento de nossa organização e Deus ficará irado com vocês se não fizerem o que estamos mandando. 
Depois de comentar sobre os perigos morais do ambiente universitário, o Corpo Governante apresenta a única opção para aqueles que desejam ser escravos de Jeová e não de Satanás: “Em contraste, a organização de Jeová fornece a melhor educação no ambiente sadio da congregação crista.”(p. 16 - grifos meus)  Para quem não sabe, as TJ’s não estabelecem instituições de ensino secular de qualquer nível ao contrário de muitos grupos religiosos. O que eles estão querendo dizer com “melhor educação” se refere ao amplo programa de educação espiritual promovido em todas as suas congregações que não tem nada que ver com educação secular. E finalizando com a “cereja do bolo” vejam as palavras de um jovem, citadas neste artigo, desencorajando cursar o ensino superior: “‘A educação teocrática que recebi como pioneiro — e hoje como ancião na congregação — não tem preço’, conta ele. ‘As bênçãos e os privilégios que tenho superam em muito qualquer dinheiro que eu tivesse ganhado. Sou muito feliz por não ter buscado o ensino superior.’” (p. 16 - grifos meus).
Qual o objetivo que o Corpo Governante das TJ's quer atingir com toda essa "preocupação" com o bem espiritual dos jovens testemunhas, e por tabela, os outros membros de mais idade que talvez anseiam cursar o ensino superior?
1) Colocar a questão de se cursar ou não uma faculdade como se fosse uma questão de lealdade entre agradar a Deus ou a Satanás num pensamento reducionista. 
2) Algumas partes do artigo (que não citei) visam desmerecer o valor do ensino superior em comparação com cursos de nível técnico conduzindo, por fim, à ideia indicada no ponto a seguir.
3) Exaltar a educação religiosa ("teocrática" como eles chamam) promovida pela Organização como preparando os seus membros muito melhor para a vida do que obter um diploma de ensino superior.
4) Que ser feliz envolve dedicar-se de corpo e alma ao trabalho promovido pela Organização (pregação de casa-em-casa) e que caso uma TJ opte por cursar uma faculdade ela será infeliz.
Tudo isso não passa de falácias engenhosamente elaboradas para manter os membros TJ's sob o controle estrito do Corpo Governante e para que esses se dediquem ao máximo à Organização. Não há absolutamente NADA na Bíblia que indique que cursar ou não uma faculdade é uma questão que envolve nossa lealdade a Deus. 
Acredito que a tônica correta, do artigo da revista A Sentinela, seria antes, orientar os jovens TJ's a terem cuidado com o ambiente moral das universidades, o mesmíssimo cuidado que se precisa ter ao se estudar numa escola para se obter uma educação básica. É público e notório que o ambiente das escolas hoje também apresenta perigos tanto espirituais como, até em alguns casos, perigos de segurança física ocasionados pelo aumento da violência nas escolas, infelizmente. Agora, quanto a cursar ou não uma faculdade essa é uma questão individual de acordo com a fé de cada cristão.
Confirmando que muitas questões, que não são claramente indicadas na Bíblia como mandamento divino, devem ser deixadas ao critério de cada cristão, o apóstolo Paulo ao comentar sobre uma questão controvertida de se fazer uso de certos alimentos ou a guarda de dias santificados, que estava causando muita discussão entre os cristãos de Roma, no primeiro século de nossa era, deu uma solução prática e inteligente que não feria o livre-arbítrio dos crentes. Veja as palavras de Romanos 14:1-5 (NVI): "Aceitem o que é fraco na fé, sem discutir assuntos controvertidos. Um crê que pode comer de tudo; já outro, cuja fé é fraca, come apenas alimentos vegetais. Aquele que come de tudo não deve desprezar o que não come, e aquele que não come de tudo não deve condenar aquele que come, pois Deus o aceitou. Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu senhor que ele está de pé ou cai. E ficará de pé, pois o Senhor é capaz de o sustentar. Há quem considere um dia mais sagrado que outro; há quem considere iguais todos os dias. Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente." (grifos meus) 
Ou seja, Paulo, sob inspiração, indicou que muitas questões são de decisão pessoal. Então devemos fazer a seguinte a pergunta: Quem deu ao Corpo Governante o direito de dizer o que é certo ou errado quanto a se cursar uma faculdade? Pessoalmente tenho certeza de que Deus não deu a eles e a ninguém sobre a terra tal direito.
Que contraste a atitude dogmática, invasiva e autoritária do Corpo Governante das TJ's com as palavras do apóstolo Paulo que disse o seguinte: "Não estamos querendo mandar na sua fé, pois vocês estão firmes na fé." (2 Cor. 1:24, NTLH - grifos meus). Isso quer dizer, nada mais, nada menos, que nem ele e nem os apóstolos deveriam mandar na fé dos outros irmãos cristãos. 
Toda essa “lavagem cerebral” meticulosamente arquitetada pela liderança das TJ’s é apenas uma amostra de várias outras promovidas com o objetivo de manter sob o mais estrito controle o que os membros pensam, fazem ou escolhem como alvos na vida. Não se pode subestimar toda a pressão e coerção psicológica que é exercida por artigos dessa natureza, pois, a revista A Sentinela é estudada nas mais de 100.000 congregações espalhadas ao redor do mundo. E os membros TJ’s sempre encaram as instruções promovidas nesta revista como oriundas do próprio Deus (Jeová). Ou seja, o que é dito na revista está em pé de igualdade com os mandamentos bíblicos, quer elas admitam isso, quer não.
Em contraste com outros grupos religiosos cristãos (luteranos, metodistas, adventistas e etc) que promovem e estabelecem instituições de ensino superior visando promover o verdadeiro progresso e conhecimento, incentivando os membros destes grupos a buscarem uma educação mais elevada, o Corpo Governante das testemunhas de Jeová prefere deixar os membros isolados em seu próprio redil, porque, na realidade, o que mais os homens de Brooklyn temem é que os membros que adquirirem muito conhecimento possam vir a questionar muitas das doutrinas sem base bíblica sólida e toda essa manipulação mental exercida sobre os membros.
Apesar de eu não ter cursado faculdade, minhas amplas leituras me conduziram a reconsiderar o papel que a liderança das TJ's exercia na minha vida. E assim decidi não mais me sujeitar e nem sujeitar outras pessoas a tal tirania mental.
Em contraste com toda essa coerção e cerceamento da liberdade cristã veja o belo comentário no livro que citei mais acima, Café Espiritual, na p. 21: “A dificuldade em guiar pessoas livres é o risco – o risco de que usem a liberdade de forma errada. Ao contrário de Deus, muitos de nós na Igreja não entendemos por que esse risco vale a pena. A ameaça de usar a liberdade de forma equivocada parece maior que a recompensa da verdadeira liberdade. E, por isso, ficamos assustados.”
E este medo é verdadeiramente “endêmico” (citando um termo do autor do livro) dentro do grupo testemunhas de Jeová.
Felizmente ao contrário de certos líderes religiosos que cerceiam o direito do uso do livre-arbítrio dado por Deus, o SENHOR pensa diferente.
Ele não anda com um “chicote”, não é imprevisível e muito menos irá impedir que nós, suas criaturas, façamos uso da liberdade concedida por Ele mesmo quer de modo bom, quer de modo ruim.
Veja as palavras de Isaías 54:10 (Bíblia Viva): “As montanhas podem sumir, os morros podem desaparecer, mas nada pode separar você do meu amor eterno. O trato de paz que eu fiz em seu favor nunca será quebrado. Quem faz essas promessas é o Senhor, que tem carinho especial por você.” Deus não mudará e nem quebrará o trato que fez com os seres humanos!
Todo grupo religioso (cristão ou não) que tenta cercear o livre-arbítrio de seus membros, ou condicioná-los a uma uniformidade que visa apenas fortalecer cada vez mais o domínio exercido pela liderança de tais grupos, na realidade, caso seja cristão, dá sintomas de que falta algo que deveria estar permeando todo o grupo, pelo que a Bíblia diz. Leia o que diz, a seguir, 2 Coríntios 3:17 (NVI) na Bíblia: “Onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade.”
Suspeito de que o Espírito do SENHOR, ou seja, o Espírito Santo não está presente entre esses grupos que agem de modo tão autoritário, pois autoritarismo é o contrário da liberdade promovida pelo Espírito Santo. 
Na realidade, tais líderes não confiam no que ensinam, nos seus liderados e muito menos em Jesus “o bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores” (1 Timóteo 6:16)